No mundo moderno o tempo tem se tornado cada vez mais precioso para boa parte das pessoas. Parece que 24 horas não é tempo suficiente para realizar tudo que se pretende. Por causa disso, o ser humano tem esquecido um pouco do próximo. De parar e pensar que ao seu redor tem muita gente precisando de ajuda, seja ela financeira, espiritual ou apenas um gesto de carinho, uma palavra amiga.

   Mas apesar disso, ainda tem muita gente que reserva parte dos seus dias para ajudar aos necessitados. São homens, mulheres, crianças, pessoas comuns que se unem para amenizar a carência daqueles que precisam. E essa é uma característica notável no povo brasileiro: a solidariedade – capacidade de compartilhar dos sofrimentos de outras pessoas e ajudá-las.

   Comprovando a solidariedade do nosso povo, instituições criadas para esse fim existem em grande número, praticamente em todas as cidades brasileiras. Boa parte delas está ligada a algumas instituições religiosas, que além de arrecadar e distribuir alimentos, agasalhos concentram seus trabalhos na educação de crianças e no amparo de idosos. Então, a solidariedade desses voluntários ultrapassa a ajuda financeira e material e chega a um dos mais importantes ensinamentos: “Amar ao próximo como a si mesmo”.

   Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) , voluntário é “aquele que, pleno de cidadania, solidariedade e motivação, doa seu tempo, seu conhecimento e sua capacidade a alguém ou a alguma comunidade”. Chico Xavier, Madre Teresa, Betinho, Gandhi, Irmã Dulce e muitos outros anônimos, são exemplos de luta por um mundo cada vez mais justo, sem preconceitos, discriminações e desigualdades. Essas pessoas com suas atitudes e ações modificaram vidas e destinos.

   Sabe-se que essas atividades não resolvem definitivamente os problemas, que na maioria das vezes, têm sua origem na má distribuição de renda, falta de políticas públicas adequadas e muitos outros fatores. Porém, servem para amenizar a situação de calamidade de muitas famílias, dando de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e, principalmente, levando esperança e perspectivas de uma vida melhor para muitas pessoas.

   Mas o que move as pessoas a serem voluntárias? A vontade de ajudar a resolver problemas, a vontade de se sentir útil, o desejo de fazer algo diferente no dia-a-dia. Muitos são os motivos que levam alguém a realizar ações voluntárias. De acordo com o último relatório da ONU, divulgado em 2001, o Brasil possui 14 milhões de pessoas envolvidas em ações de ajuda. Adultos, de 35 a 55 anos, que dedicam, em média, um dia e meio por semana ao voluntariado. E em um país como o nosso, onde cerca de 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, o papel desses voluntários tem uma importância ainda maior.

Fazer o bem traz benefícios à saúde

   "Fazer o bem sem olhar a quem”. Quem nunca ouviu essa mensagem? O que pouca gente sabe, é que essa simples frase, ou melhor uma simples ação, faz bem não só à moral, mas ao coração, ao sistema nervoso e ao sistema imunológico de quem a pratica, aumentando assim a expectativa de vida e a vitalidade de quem a pratica.

    Psicólogos, neurologistas e epidemiologistas afirmam que está cientificamente provado que ajudar ao próximo traz benefícios à saúde de quem ajuda. De pequenas iniciativas a grandes ações, os benefícios derivados da ajuda aos outros foram bem documentados em um projeto realizado nos Estados Unidos, na Universidade de Harvard, ao longo de dez anos. Foram estudadas 2.700 pessoas para verificar como o relacionamento social afetava sua saúde.

   Os pesquisadores descobriram que o fato de realizar regularmente trabalho voluntário aumentava muito a expectativa de vida. A pesquisa mostra também que pessoas com muitos contatos sociais tendem a viver mais do que aquelas que preferem o isolamento. Um fato ainda mais interessante na pesquisa é que, após a exibição de um filme mostrando Madre Teresa de Calcutá cuidando de doentes e moribundos, análises químicas feitas em estudantes evidenciaram um aumento de imunoglobulina A, um anticorpo que ajuda a defender o organismo contra infecções respiratórias. Esse aumento da imunoglobulina A foi evidente até mesmo entre os estudantes que disseram não gostar de Madre Teresa.

   Ainda segundo os teóricos, ao fazermos o bem despertamos gratidão e afeto, sentimentos que nos provocam uma sensação de bem-estar. Essa sensação tem relação direta com as endorfinas produzidas naturalmente pelo cérebro, um órgão com importante função de proteger o corpo de doenças.

(Fonte: Tribuna do Norte - Carla França - Repórter)

 

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